quinta-feira, 3 de abril de 2014

Tirando a poeira de Amnésia

 

Leonard (Guy Pearce) é um rapaz de meia-idade que sofre de uma doença que o impede de se recordar de fatos recentes. E é por decorrência disto ele anota em papeis o que precisa rememorar e até faz tatuagens ao longo do corpo. Leonard acredita que o problema tenha sido causado após sua esposa ter sido assassinada e promete não descansar até que mate o assassino.

Dirigido e adaptado por Christopher Nolan a partir de um conto escrito por seu irmão Jonathan, “Memento” chegou aos cinemas em 2000. Logo em suas exibições em festivais, o filme foi aclamado pela crítica e hoje é considerado uma das melhores obras desde o bug do milênio.

A cena inicial já mostra como o filme deverá ser lido, mas se isso não foi o bastante ele não faz muita questão de ficar explicando. Tal decisão narrativa não subestima o espectador e em poucos minutos este já está completamente imerso. Nolan conduz com maestria um filme em que minúcias e detalhes são tão importantes como as revelações mais facilmente perceptíveis.

Leonard é muito bem desenvolvido e Guy Pearce dá dimensões fantásticas ao personagem. Mas será que é seguro confiar a ele o papel de guia na descoberta dos reais acontecimentos da história? E assim como o protagonista passamos a viver aquele recorte de momentos, com uma vida extremamente angustiante e cercada por pessoas pouco confiáveis.


Você já deve saber que o filme não segue o modelo hollywoodiano, o que pode ser tranquilamente visto em sua não linearidade no roteiro e abordagem pouco tradicional. Tal peculiaridade já poderia ser esperada de Christopher Nolan, cineasta que dois anos antes fizera o eficientíssimo “Following”.

Se já surpreende o fato de Guy Pearce viver um protagonista de forma tão verossímil e bem feita, descobrir alguns atores por suas atuações tão eficazes em “Amnésia” é muito interessante. Carrie-Anne Moss e Joe Pantoliano dispensam comentários, ambos arrebentam em todos os aspectos e trabalham muito bem seus personagens. E mesmo Stephen Tobolowsky, que tem uma participação um pouco rápida, atua muito bem.

Muito bonito esteticamente, o filme imerge o espectador também em sua ambientação. A fotografia de Wally Pfister traduz todo o clima hostil e de imprevisibilidade, enquanto que a trilha de David Julyan passa longe de ser esquecida com as memórias de Leonard.


“Amnésia” é fundamental para se entender o cinema feito pelo conhecido Nolan. Muito se fala do que o britânico fez ou não fez com Batman, mas pouco se discute sobre esta caótica e agoniante obra do diretor. Quer um último conselho para assistir a este filme? Tome um cafezinho sem açúcar e não se esqueça de sua câmera Polaroid.

[MUITO RECOMENDADO]
 
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