domingo, 27 de abril de 2014

Crítica - Viral

 

Já acompanho o Porta dos Fundos há um tempinho. Irreverente e engraçado, o canal faz humor para o YouTube como poucos. No início do mês, eles iniciaram sua websérie “Viral”, em que Beto (Gregório Duvivier) descobre que contraiu HIV e passa a visitar cada uma das mulheres com quem teve sexo para alertá-las de sua situação.

Como a grande maioria, fiquei receoso ao ver que algo relacionado à doença viria a ser a temática da empreitada. Sem medo de quebrar paradigmas e batendo de frente com os preconceitos, a série se sai muito bem em seus quatro episódios. Um misto de drama e comédia é realizado e não mostra instabilidade ao abordar os dois lados.

Enganou-se quem pensava que o Porta não se sairia bem num trabalho diferente dos esquetes. E para incendiar a língua destes, o roteiro de Fábio Porchat surpreende com suas situações precisas e amarradas à trama. Os diálogos são outro ponto forte e o último é a prova definitiva do potencial dos caras. O jargão de Rafa (personagem de Porchat) é um pouco caído, mas não enche o saco como os outros milhões presentes em nossas comédias.


Ao utilizar diversas locações e atores, “Viral” se mostra como uma versátil série. Mais uma vez, Ian SBF conduz a trama com a qualidade já presente no roteiro ao abordar perfeitamente os temas com os quais está lidando.

Tem como não apreciar Gregório Duvivier? Alguns dizem que ele se interpreta em todas as suas atuações e teimam em crucifica-lo a cada novo trabalho. Mas o problema está em não desvencilha-lo do que fez antes e entender que aqui está Beto, e não Gregório. Se a excelente encarnação não deu conta do recado (algo impensável), a diferente aparência ajuda os mais perdidos.

Do mesmo jeito encontra-se Fábio Porchat com o personagem Rafa, não vejo outro ator que o faria de forma verossímil. Antonio Tabet, Clarice Falcão, Julia Rabello e outras figurinhas conhecidas também aparecem. E se me é dada a difícil tarefa de escolher a melhor destas “pontas”, eu daria este prêmio a Kibe Loco, um taxista - queria eu utilizar algo mais forte – filho da mãe.


O único problema de “Viral” é não ter tido mais uns dez episódios. Se por um lado isso é ruim, por outro a websérie demonstra que “aqueles caras que fazem videozinhos na internet” quebram tabus e mexem com os preconceitos da sociedade com a ferramenta que melhor dominam: o humor.

[MUITO RECOMENDADO]
 
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