domingo, 6 de abril de 2014

Crítica - Noé

 

O polêmico “Noah” chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira, o filme é escrito pela dupla Ari Handel e Darren Aronofsky e o próprio Darren é o responsável pela direção. Todas as discussões e controvérsias só fizeram com que a obra tivesse ainda mais sucesso, até então ela se encontra com pouco mais de US$ 178 milhões em bilheteria.

Sem saber que teor seguirá, o filme começa atrapalhado. As motivações se mostram rasíssimas e tudo acontece rápido demais. Estes problemas e as variações só são resolvidos quando o filme ultrapassa sua primeira metade. É então que, graças a Deus, a coisa toma uma proporção épica.

Aronofsky faz as alterações e adições necessárias para a construção de um bom enredo. Temos os conflitos familiares, as indagações, diferentes pontos de vista e até uma dualidade dos personagens. A última característica não é muito barroca, eu diria que é algo parecido com o que Kubrick fez em seus filmes. A natureza humana é muito explorada e isso enriquece a profundidade dos personagens.


Do ponto de vista dramático, o conto bíblico é pouco interessante. Não entrarei em questões religiosas, mas basta assistir às adaptações “fieis” que este recebeu para que isto se confirme. Partindo deste princípio, é muito melhor ver um Noé verossímil, parrudo e humano do que aquele velhinho chato das madeixas brancas. Se eles tomaram mais liberdades do que o esperado? Estamos falando de uma adaptação de algo que ocupa menos que cinco capítulos na Bíblia.

O filme é essencialmente sobre o protagonista e não é a toa que isso já seja dito no título. Acompanhamos a história de alguém que tem fé, mas que não foge da sua função humana de questionar. Aliado ao roteiro eficiente, Russel Crowe dá vida e dimensões a um personagem marcante. Importantíssimo citar os excelentes trabalhos de Jennifer Connelly, Ray Winstone e Emma Watson.

Apesar de montagens horríveis envolvendo a tecnologia, a computação gráfica cumpre seu papel em vários planos. A fotografia ajuda em alguns momentos e acerta ao se enquadrar na proposta narrativa. Nada que te deixará anestesiado com tamanha qualidade gráfica, apenas algo a se admirar um pouco. O mesmo vale para a trilha sonora. Ela, após a primeira metade, é peça fundamental e dá vida às brilhantes sequências de Darren. Mas ainda não te deixará com a vontade de comprar aquelas músicas.


Após limpar minha cabeça das expectativas e concepções, fui tranquilo para assistir a “Noé”. Além de indicar o que fiz, recomendo a própria obra pela sua eficiência. Dificilmente veremos um trabalho tão corajoso como o de Aronofsky pelos próximos anos. Ele tem suas escorregadas, mas depois delas se sai tão bem que é impossível não ficar imerso nessas águas de questionamentos e reflexões.

[MUITO RECOMENDADO]
 
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