quinta-feira, 10 de abril de 2014

Crítica - Caveira Vermelha: Encarnado

 

Em 1923, quando a República de Weimar mergulha no caos e o Partido Nazista ascende ao poder, um órfão chamado Johann Schmidt atinge a maturidade. O jovem que vai se tornar o Caveira Vermelha luta para sobreviver — e triunfar — num mundo mergulhado no colapso econômico, crise política e violência implacável, até ganhar a afeição de um lojista amigável e a filha dele. No entanto, conseguirá um garoto que abraçou a brutal supremacia do poder evitar seu terrível destino?

Com roteiros de Greg Pak e arte de Mirko Colak, “Caveira Vermelha: Encarnado” foi lançado em cinco edições no território americano. Após um relativo sucesso lá fora, a HQ finalmente chegou ao Brasil pelas mãos da Panini, numa edição de capa dura e com 124 páginas. 

Todas as cinco capas da série são espetaculares, a primeira (que também é usada para a capa do encadernado) me conquistou logo de cara. Tudo bem, a história nem precisava ser aquela coisa, mas pelo menos eu teria um lindíssimo exemplar na estante. E não é que foi isso que aconteceu?

Comecemos então pelos pontos positivos. A versão brasileira é algo espetacular, com páginas lindíssimas e impressão de primeira. Rodrigo Guerrino faz um ótimo trabalho na edição de uma HQ que agrega valor à coleção de qualquer fã de quadrinhos por aí.

O roteiro impressiona por seus fatos históricos muito bem colocados. Pak fez uma pesquisa muito extensa dos acontecimentos e isso o ajudou bastante na contextualização. Mas mesmo contando com um bom ritmo, o roteiro tem motivações bobas e pouco críveis por parte dos personagens.


Greg Pak também dá alguns saltos que incomodam a leitura, deixando o leitor perdido e abrindo espaço para que vários furos apareçam naquela história. Tais acontecimentos pulados poderiam ajudar no desenvolvimento dos personagens, que também sofrem de uma abordagem superficial.

A arte cumpre seu papel em grande parte da HQ, mas comete erros que não podem ser relevados. Alguns personagens sofrem alterações no decorrer da história, passando a ter traços diferentes dos originais. Sem falar das expressões fracas e mal utilizadas.

Porém, há de se destacar os bonitos planos de Colak, que contam com uma colorização muito bem feita de Matthew Wilson. Mirko explora ângulos interessantes e trabalha de forma eficaz nas cenas de ação.

E no final, o que temos de Caveira Vermelha? Isso é o que mais incomoda ao finalizar este quadrinho. Passamos aquele tempo simplesmente acompanhando um garoto emburrado e que mal sabe o que quer da vida. Não temos nada do aterrorizante vilão.


É possível ver o esforço de Park ao contextualizar sua história, mas seus personagens transpiram superficialidade e a leitura não é nada suave. E apesar de alguns acertos na arte, a HQ não cumpre o que se propôs e acaba sendo apenas mais um rostinho bonito na estante.

[NÃO RECOMENDADO]

-

Esta crítica faz parte do Especial - Capitão América, clique aqui para conferir.
 
© 2014. Design por Main Blogger | Editado e finalizado por Guilherme e Carlos