terça-feira, 25 de março de 2014

Tirando a poeira de Cidade dos Sonhos

 

Betty (Naomi Watts) é uma aspirante a atriz recém-chegada à Los Angeles, passando a morar na casa de sua tia Ruth. Logo em seu primeiro dia ela encontra Rita (Laura Harring), uma moça que fugiu de uma colisão envolvendo dois carros na estrada Mulholland Drive. Rita perdeu sua memória, mas Betty está disposta a ajuda-la a descobrir sua identidade.

Chegando em 2001 com o nome original de Mulholland Dr. (muito mais sensato que o horroroso ‘Cidade dos Sonhos’), o filme se saiu mal nas bilheterias. Basta ver os números: pouco mais de 7 milhões de dólares em território americano e quase 13 fora dos EUA, o que fez o longa lucrar pouco mais de 5 milhões, e isso sem jogar na conta outros gastos da divulgação e distribuição.

Se o filme fosse ruim, não precisaríamos de muitos motivos para explicar tal fracasso. O que é de se espantar é o fato de ser uma obra espetacular, mas bastante complexa, principalmente em seus minutos finais. E estamos falando de David Lynch, o grande responsável por toda essa complexidade.


Já que o título brasileiro entrega quase tudo, não é falar demais que o filme conta com alguns sonhos, delírios e, é claro, a realidade. O roteiro alterna muito bem entre esses momentos, com situações e personagens que se encaixam de forma coerente e condizente com a trama. Se eu pudesse contar certas revelações, daria para explorar as genialidades de Lynch, mas isso também comprometeria a experiência de quem ainda não o assistiu.

Montado por Mary Sweeney, constante colaboradora do diretor, o filme tem uma edição excelente, à altura de “Amnésia”. Assim como sua fotografia, que trabalha com ângulos muito sugestivos e é uma ferramenta importantíssima para a compreensão de muita coisa. Em muitos momentos, é necessário prestar atenção nos movimentos da câmera e nos seus passeios pelos cenários. Não falaria isso tudo sem citar seu responsável: Peter Deming.

Além de lindas, Naomi Watts e Laura Harring atuam de forma verossímil às propostas do longa. Em um determinado momento, Betty faz o teste para um papel, momento fundamental para demonstrar a versatilidade da atriz. O filme caminha e a relação entre as duas personagens também, dando espaço para Lynch direcionar e deixar o quão evidente achar necessário. Laura Harring faz uma personagem extremamente vulnerável, e seja nos olhares desconcertantes ou na presente timidez, Harring dá um show.


Ao som de Angelo Badalamenti (Twin Peaks, Veludo Azul), “Cidade dos Sonhos” trata-se de um épico surrealista. Não se iluda, você provavelmente não entenderá nada quando acabar de assistir ao filme. Mas também não fique nervoso, é para isso que servem os amigos, a internet, os fóruns, etc. Discuta, pesquise e perceba que certos filmes extravasam o papel de puro entretenimento, e por isso...

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