sábado, 8 de março de 2014

Especial Game of Thrones - Terceira Temporada X Terceiro Livro

 


Em 1996, George R. R. Martin deu luz à franquia “Crônicas de Gelo e Fogo”, trazendo ao mundo uma das melhores histórias de fantasia de todos os tempos. Com um mundo fictício crível e bem construído, intrigas políticas e personagens coloridos e cativantes, a série rapidamente conquistou o mundo inteiro, apesar da brutalidade e do tamanho dos romances. 

Com a aproximação da estreia da quarta temporada da série Game of Thrones, adaptação televisiva da HBO de “Crônicas de Gelo e Fogo”, resolvi revisitar o terceiro volume da franquia. A quarta temporada, que será adaptada da segunda metade de “Tormenta de Espadas”, promete muitas reviravoltas e uma conclusão bombástica à guerra dos cinco reis, principal cenário de seus predecessores.


Atenção – Spoilers para quem não leu “A Tormenta de Espadas” ou não assistiu à Terceira Temporada de Game of Thrones

“A Tormenta de Espadas” é meu favorito da série de Martin, não só pela extensão e pela densidade, mas por sua total imprevisibilidade. Afinal, ninguém esperava um evento brutal como o casamento vermelho ainda pouco além da metade do livro. E muito menos os eventos que se seguiram a ele.

O Terceiro livro da série segue retratando a guerra dos cinco reis que assola os sete reinos. Chamá-la de guerra dos cinco reis é um tremendo exagero, pois Balon Greyjoy quase não aparece nos livros, e Renly Baratheon acaba por falecer ainda nos momentos iniciais do segundo livro. Até mesmo as batalhas de Robb Stark são sempre narradas à distância com um certo tom de exagero por camponeses ou lordes que “ouviram falar” de suas vitorias. A verdadeira batalha é travada por Joffrey e Stannis Baratheon.

Ponto positivo para Martin, que retrata com maestria a desolação que atinge os sete reinos durante a guerra, principalmente pelos olhos de Jaime e Arya, que cruzam os sete reinos em busca de seus destinos. Pelos olhos deles, vemos campos queimados, famílias assassinadas, castelos destruídos e sangue... Muito sangue.

Falando neles, Arya e Jaime são dois de meus personagens favoritos dos livros. Desde a primeira aparição do Regicida, venho me questionando se ele não é mais do que Martin quer que acreditamos que seja, e Tormenta vem para provar isso, com os primeiros capítulos de POV de Jaime Lannister. Na série, temos um Jaime brilhantemente encarnado por Nikolaj Coster-Waldau e um tanto quanto mais cruel. Nos livros, estando dentro da mente do personagem somos capazes de entender melhor o que motiva suas ações, mas na série suas ações são tudo que temos para conceituar um personagem. Enquanto que no livro, o Regicida frequentemente mostra pensamentos mesquinhos e maldosos, planejando a morte de Brienne e refletindo sobre o estorvo que seu primo, Ottis Frey, representa para ele, na série vemos Jaime tomando um curso de ação mais direto, efetivamente assassinado Ottis ainda na segunda temporada e tomando como missão dificultar a viagem dele e de Brienne o máximo que sua boca lhe permitir.

Apesar de cruel, ele se mostra cada vez mais humano. Jaime revela que se importava com Ottis, mas sua morte era necessária para que ele prosseguisse. Finalmente, o “homem sem honra” fala sobre seus sentimentos a respeito de seu apelido pejorativo: O Regicida, mostrando como se sente a respeito de Aerys Targaryen e de tudo que foi forçado a fazer. Assim como o irmão, Jaime decide vestir a alcunha que lhe é dada e usá-la como uma armadura “para que nunca possa ser usada para lhe ferir” (Nas palavras exatas de Tyrion Lannister).


Outro personagem que esbanja emoção é Catelyn. Ela se conecta com o leitor através de seu luto pelos filhos que acredita estarem mortos, e se mostra uma mulher cada vez mais amargurada e rancorosa. Apesar da densidade do personagem e da atuação genial de Michelle Fairley, os capítulos de Catelyn tornam-se cada vez mais maçantes e cansativos. O drama da mãe que perdeu os filhos é algo se sempre acompanha a personagem, mas é lembrado ao leitor com uma frequência irritante. Catelyn passa a maior parte de Tormenta ao lado do pai moribundo enquanto ouve relatos dos feitos dos filhos à distância.

Mais um ponto positivo para a série, onde ao invés de ficar ao lado do pai chorando e lamentando-se, Catelyn segue o filho em batalha e está sempre o aconselhando e ajudando, além de desenvolver uma relação interessante com Talysa Maegyr (Nos livros, Talysa não existe e a esposa de Robb chama-se Jeyne Westerling).

Nem tudo são rosas, e a adaptação televisiva da HBO, por mais que acertando em diversos pontos, errou brutalmente no lado de Daenerys. Além de sua visita em Qarth na segunda temporada ter sido radicalmente alterada em relação ao que ocorre nos livros, na terceira temporada perdemos um personagem de extrema importância chamado Belwas, o forte. Belwas, assim como Barristan, ajuda Dany a conquistar seu exército na baía dos escravos e também age como alívio cômico em grande parte do terceiro livro. Além disso, tivemos uma adaptação pífia de Daario Naharis, um personagem colorido e extravagante que foi transformada em um sujeito esquisito e um tanto suspeito. A recepção à adaptação de Daario foi tão negativa que o ator foi substituído para a quarta temporada. Fora isso, o próprio George Martin disse que o Trono de Ferro da série ainda não se aproxima da presença imponente que ele imaginava que ele teria.

É inegável que a série é um projeto grandioso e uma experiência incrível de se assistir, mas há certos riscos em adaptar um material denso como “Crônicas de Gelo e Fogo”. Inevitavelmente muito se perde, mas a HBO tem conseguido adaptar muito bem o material original, não fugindo demais dos livros, nem ficando presa ás palavras de Martin. O resultado é uma experiência gratificante de se assistir e que prende o espectador com facilidade, escorregando um pouco no excesso de nudez e de violência.

Não poderia faltar um pouco de brutalidade para a adaptação de Tormenta, livro com recorde de mortes na série e lar de alguns dos eventos mais sangrentos da franquia, como o famigerado casamento vermelho.


Por fim, Tormenta de Espadas acabou sendo meu favorito da franquia até então, pois o livro é extremamente denso e surpreende a cada página, e sua primeira metade foi adaptada com maestria, gerando a terceira temporada de Game of Thrones. Tropeços à parte, é um “must-read” para qualquer fã de literatura fantástica e medieval.
 
© 2014. Design por Main Blogger | Editado e finalizado por Guilherme e Carlos