sexta-feira, 7 de março de 2014

O efeito Dolly Zoom de Um Corpo que Cai

 

Desenvolvido originalmente pelo cinegrafista Irmin Roberts para a produção de "Um Corpo Que Cai". No filme de 1958 de Hitchcock, a finalidade era retratar a sensação de vertigem em primeira pessoa do personagem Scottie Ferguson (J. Stuart) em vários momentos da trama. Logo no primeiro filme a ser utilizado, o Dolly Zoom se mostrou um surpreendente efeito de percepção visual.



Um filme mais recente em que o efeito aparece é "O Incrível Hulk", de 2008. A cena em questão é o momento em que Bruce Banner (E. Norton) se transforma, destruindo o laboratório e enfrentando as Forças Armadas. O efeito em si aparece no plano em que é mostrada a reação do General Thaddeus (W. Hurt) e do Capitão Emil Blonsky (Tim Roth) ao verem o Hulk em ação.



O efeito também aparece em Tubarão (Jaws, 1975). Há a cena em que alguns habitantes da pequena cidade de Amity estão na praia e se assustam com o ataque à uma criança que brincava na água, nesse momento o xerife local Brody (Roy Scheider) entra em estado de alerta total.



Em todos os casos citados, o efeito tem a intenção de imergir quem o assiste. Em "Um Corpo Que Cai", é feito com que o espectador se sinta na posição real do personagem, ou seja, fazendo-o com que sinta a tal vertigem, tornando a imersão na trama mais envolvente. Já nos dois últimos casos, a intenção é, além de conectar o espectador com o personagem, ter uma percepção de distorção da realidade, mas com o objetivo de expressar a mudança de perspectiva mental do personagem. 

Simples e genial. Para que possamos entender o funcionamento do Dolly Zoom, precisamos compreender um conceito básico de fotografia: a Profundidade de Campo

A profundidade de campo é a representação de como os objetos em cena se distanciam do plano focal, ou seja, a forma como a câmera percebe a perspectiva do ambiente, por assim dizer. Como na imagem abaixo, a  profundidade é tão grande que faz com que objetos próximos pareçam distantes.


Segue então um exemplo da projeção da área em que atuam as profundidades de campo.


É importante saber os efeitos que o Zoom causa na profundidade de campo. Um Zoom grande achata a profundidade de campo, desta forma, os objetos em cena que estão em profundidades diferentes se tornam, aparentemente, mais próximos e vice-versa.

Com o Zoom feito, podemos notar a distorção da realidade, porém, os objetos ficarão maiores ou menores, uma vez que esse é o motivo real do uso do zoom. Portanto, precisamos compensar a dimensão do objeto em foco para que ela não se altere enquanto o zoom for feito, para isso é usado o Dolly (não o guaraná), que é basicamente o movimento da câmera no espaço real por meio de um trilho, carrinho, etc.

Unindo esses dois parâmetros (um compensando o outro) é possível reproduzir o efeito Dolly Zoom. Se aumentarmos o Zoom e afastarmos a câmera em Dolly teremos a impressão de que o cenário ficará mais próximo do objeto, o que também funciona ao contrário.

Preparei um vídeo exemplificando melhor como se comporta a câmera e os objetos em cena durante esse efeito, segue abaixo:


Bom, isso é tudo. Se tiver curiosidade sobre demais assuntos, comente abaixo qual efeito em específico de algum filme você gostaria que fosse explicado. Até a próxima!
 
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