quinta-feira, 20 de março de 2014

Tirando a poeira de Valente

 

Merida é uma jovem princesa, mas não dessas que preza pela vaidade e pouco sai do castelo, com seu cavalo ela explora florestas e é muito boa no arco e flecha. Uma tradição antiga está para acontecer, e nesta os pretendentes participarão para ver quem se casará com a princesa. Relutante em continuar com a tradição e aceitar as ideias da mãe, Merida recorre a uma bruxa, que joga na rainha um feitiço que pode se tornar permanente.

O 13º longa da Pixar chegou aos cinemas em 2012, lucrando algo em torno de 350 milhões de dólares, e apesar do sucesso nas bilheterias, a animação foi recebida de forma mista por muitos críticos. O trio responsável pela direção é Brenda Chapman (que já havia trabalhado em filmes da Disney e DreamWorks) e pelos novatos Mark Andrews e Steve Purcell.

O filme é ambientado na Escócia da Idade Média, mais especificamente nas Terras Altas, zona montanhosa ao norte do país. Nesse aspecto o trabalho visual e fotográfico é maravilhoso, as florestas são muito bonitas e os passeios que a imaginária câmera faz são altamente imersivos. Tal grandeza de detalhes e beleza também são presentes nos personagens, com expressões bem caracterizadas e cabelos lindíssimos. Merida tem uma grande cabeleira ruiva, passada para a tela com um absurdo realismo, em que numa cena rápida os fios balançam e são percebidos com uma naturalidade tremenda.


Mas não estamos falando de um clipe qualquer ou vídeo para mostrar o que a tecnologia pode proporcionar, e “Valente” tem alguns probleminhas que incomodam bastante. O filme começa muito bem, com boas sequências introduzindo o espectador naquele fantasioso mundo e apresentando os personagens. Até que, no segundo ato, seu plot principal é apresentado. E por mais que se impressione pelo pouco esperado acontecimento, o que vem a seguir é extremamente previsível, desde os rumos que a história tomará até exatas cenas que já iam se construindo na cabeça.

Pelo menos a coisa é um pouco menos acentuada em outros aspectos. Os personagens tem um tratamento interessante, Merida é uma adolescente de um contexto antigo (situado há centenas de anos) mas com problemas que qualquer outra poderia ter atualmente. Mas outros personagens, como é o caso do rei e demais “líderes”, são estereotipados a um nível incômodo, muitas vezes se dando ao desgosto de parecerem alguns (eu disse alguns) personagens da montanha-russa conhecida como DreamWorks.


Para finalizar, admito que me diverti vendo o filme, mas que não está nem perto de ser o que grandes obras-primas da Pixar ainda são. Vale mais para se encantar com a beleza dos cenários e dos personagens, nada muito além.

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