domingo, 9 de março de 2014

Crítica - Sem Escalas

 

Durante um voo de Nova York a Londres, Bill Marks (Liam Neeson) recebe uma série de mensagens de texto pedindo que ele faça com que a companhia aérea transfira US$150 milhões para uma conta. Até que a transferência seja confirmada, um passageiro será assassinado a cada 20 minutos.

Dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra e escrito por John W. Richardson, Christopher Roach e Ryan Engle, “Sem Escalas” estreou no final de fevereiro. Com um protagonista de peso, o filme já se pagou em bilheteria e continua a levar público aos cinemas.

Após ler sobre o longa e não me interessar muito, o que realmente me levou a pagar o ingresso foi o último trailer divulgado. Tentei não deixar as expectativas nas alturas e cheguei até tranquilo para vê-lo. Mas a decepção foi grande e nem Liam Neeson conseguiu nos salvar dessa bomba.


O roteiro não é ruim, pelo contrário, conta com alguns clichês bem utilizados e carrega bem os mistérios que vão se desenrolando. Algo que ofusca essa boa história é o alívio cômico. Trata-se de um filme tenso, não havia necessidade de inserir piadinhas ou situações – teoricamente - engraçadas. O filme não escolhe qual teor terá e isso o atrapalha em seus 106 minutos.

Se Padilha bateu o pé para os produtores pararem de colocar a mão em seu Robocop, Jaume Collet deve ter cedido. “Sem Escalas” tenta agradar todos os públicos e conta, em sua direção, com os clichês dos mais desnecessários. Tem a menininha para você ficar com dó, o piloto guerreiro que quer salvar todos do avião, o árabe do qual todos duvidam e por aí vai. Sempre com planos desnecessários, relações desnecessárias, etc.

Uma decisão tomada foi a de mostrar o avião por fora. Não sei se foi a mais certeira, quando imergir o espectador como um dos passageiros poderia ser mais interessante. Alguns movimentos da câmera percorrendo o avião são até sugestivos, mas passam longe de transmitir algum realismo.

E se tem uma coisa que realmente não dá para deixar passar é a forma carregada como os personagens agem. Não há naturalidade, as motivações são quase criancices e os exageros aparecem a todo o momento na trama. E como sempre, há planos dramáticos nada necessários.

Mas temos Liam Neeson, eficiente ator do cinema de ação. Por aqui, Neeson faz um bom trabalho e é um dos poucos personagens críveis. Ele está bem nas cenas de ação e nos momentos em que a história nos apresenta quem ele realmente é (como na cena em que ele fuma escondido no banheiro do avião). Infelizmente, ainda não vale o ingresso.


E se ainda não deu pra sacar o rumo que esta crítica tomaria, o que está em vermelho logo abaixo já entrega. “Sem Escalas” é um filme que possuía um potencial imenso, mas desperdiçado de forma boba e sem muitos motivos. Quem sabe na próxima...

[NÃO RECOMENDADO]
 
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