quarta-feira, 19 de março de 2014

Crítica - Nêmesis

 

Nêmesis é um Bruce Wayne que seguiu o outro caminho. Ao invés de usar os milhões herdados e habilidades para limpar as ruas, ele resolve praticar crimes e atrocidades por pura diversão. Blake Morrow, o chefe de polícia de Washington, é a próxima vítima de sua lista. Para anunciar a chegada o criminoso já entrega uma cartinha com a exata hora da morte do policial.

Publicado em 2010, “Nemesis” contou com quatro edições nos EUA e chegou ao Brasil em um encadernado da Panini. Escrita por Mark Millar (Kick-Ass) e com arte de Steve McNiven (Civil War), a HQ teve recepção mista por parte da crítica, mas que não afetou o anúncio de um filme baseado na história.

Como fã do grande trabalho que Mark realizara em “Kick-Ass” e da excelente adaptação para o cinema, já admito minha decepção com “Nêmesis”. Não sou contra o uso de violência ou personagens moralmente condenáveis, desde que existam fundamentos e motivos (e não desculpas) para que ali tais elementos apareçam. O que não acontece em nenhum momento deste quadrinho.


Peguemos “Kick-Ass” como exemplo. Na história de Millar e John Romita, Jr., a violência é explícita, os diálogos sujos e os personagens passam longe de uma conduta politicamente correta. Mas a genialidade encontra-se fora desta visão superficial. Além de apresentar diferentes pontos de vista e questionamentos sobre violência urbana, Millar dá vida a personagens que se desenvolvem e tem motivações.

Por aqui o sangue é gratuito. Já li textos com leituras até interessantes sobre o personagem, mas que necessitam de abstrações muito além dos quadrinhos, e como já dizia David Lynch: a obra deve se bastar.

Nêmesis é um babaca. A cada página o antagonista enoja o leitor e o faz torcer para que ele se ferre. Tal inversão de papeis é interessante, o que realmente estraga é a burrice e falta de motivações dos personagens secundários. Nem suspensão de descrença para dar crédito a personagens tão mal feitos.

Apesar da baixa qualidade da história e de seus personagens, a arte cumpre a proposta. Os traços de McNiven são bem verossímeis, aproximando-se de uma coisa menos caricata e explorando detalhes faciais e físicos. E se tem alguma coisa que realmente vale a pena nessa revista é a ação. O artista canadense faz cenas muito dinâmicas e com um timing perfeito.


“Nêmesis” é interessante em sua proposta e traz bons nomes, mas se isso fosse sinônimo de qualidade a “Fábrica de Chocolate” de Tim Burton seria um filmaço. Como já era de se esperar...

[NÃO RECOMENDADO]
 
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