quinta-feira, 6 de março de 2014

Crítica - O Lobo de Wall Street

 

Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) é um jovem americano com o sonho de ser um milionário. Após se tornar um corretor de ações em uma grande firma – e consequente perder esse emprego por conta da Black Monday – ele passa por uma pequena corretora e finalmente decide que abrirá sua própria empresa. Eis que é fundada a Stratton Oakmont, que levará Belfort aos confins da fortuna e excessos. 

Com uma sequência memorável, somos arremessados à ostentadora vida de Jordan. Como de praxe, o protagonista narra sua vida, como chegou ali, se apresenta e apresenta outros personagens. Scorsese não falha nesse quesito, por aqui a interação entre o protagonista e o espectador é ainda mais evidente e isso torna tudo muito dinâmico, algo que vagamente lembra o que The Office fazia. 

O filme tem sexo, drogas e muita imoralidade. Mas a retratação desses excessos não é excessiva, e sim extremamente precisa. Sem falar que nada é gratuito, por meio de alguns enquadramentos certas cenas mostram-se mais densas e com significações maiores do que o simples objetivo de filmar sexo. 

Outras reclamações dizem respeito ao machismo e exaltação de Jordan, quando que, em momento algum, o filme toma partido para julgar as atitudes do protagonista. Mas isso não quer dizer que essas situações não possam ser engraçadas. E de forma inteligentíssima, Scorsese faz um filme hilariante, que arranca risadas desde o começo e impressiona pelo timing das piadas. 



No geral, a atuação é muito eficaz e se encaixa perfeitamente com as propostas do filme. Interessante mesmo é perceber como o desenvolvimento que DiCaprio dá a seu personagem é muito verossímil, ou então nas loucuras deste com Jonah Hill (que está excelente). O protagonista vivido pelo californiano toma quase que os 180 minutos para si, e vê-lo atuando tão esotericamente bem dá gosto. Há também a presença de Rob Reiner, que além de bom diretor consegue faz um ótimo papel por aqui. 

Como já dito, a fotografia tem um papel importante e o realiza muito bem. Rodrigo Prieto, num trabalho conjunto com Scorsese, tem sempre enquadramentos muito sugestivos e truques de câmera interessantes. Thelma Schoonmaker, que já levou três Oscar para casa, realiza uma ótima montagem. 



“O Lobo de Wall Street” é um filme longo, sem dúvidas, mas que entrega o que se propôs a fazer e não cai nos exageros. A vida de Jordan é retratada sem pudor e tanto Scorsese quanto DiCaprio merecem aplausos pelas corajosas decisões tomadas. Não vou entrar no mérito de discutir se merecia ou não Oscar e blablabla, mas com certeza merece sua atenção. 

[MUITO RECOMENDADO]
 
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