terça-feira, 18 de março de 2014

Tirando a poeira de Gattaca - Experiência Genética

 

Num futuro próximo, Vincent Freeman (Ethan Hawke) é um dos poucos humanos concebidos biologicamente. Com a genética bastante evoluída, aqueles que desejam ter um filho podem ir aos laboratórios e escolher quais características este terá. Freeman, vendo seu futuro fadado aos subempregos e pouco reconhecimento, deixa-se levar por sua ambição e assume uma identidade falsa, algo que pode comprometê-lo cedo ou tarde.

Escrito e dirigido por Andrew Niccol, “Gattaca” chegou aos cinemas em 1997. Ao invés de trabalhar somente as evoluções tecnológicas ou da informação, foca-se numa visão sociológica de uma sociedade pautada pelos avanços científicos. Se em sua concepção um ser humano já tem suas qualidades e características escolhidas, estaria ele subordinado a um destino já determinado? E onde se encaixariam os nascidos pelos meios naturais?

Niccol já começa com o pé direito no roteiro, que tem uma história bem montada e personagens com um desenvolvimento interessante. As relações entre estes são retratadas de uma forma inteligente, assim como a ambientação futurística. Algumas partes e conceitos podem parecer imaginários ou caricatos demais à primeira vista, porém, é questão de tempo até se encontrar totalmente imerso num mundo mais próximo do que imaginamos.


Por mais que se arraste um pouco, o filme possui um timing bom, algo que é possível encontrar em outros dos filmes de Niccol. Para quem não se lembra, o cineasta é responsável pelos roteiros de “O Show de Truman” e “O Terminal”, além de ter dirigido e roteirizado o tão bem falado “Senhor das Armas”.

A estética do filme é muito interessante, com cores frias e pouco vibrantes, o que lembra muito o grande “Minority Report”. Essas e outras semelhanças convergem numa abordagem que ambos os filmes seguiram, a de um noir futurístico. Com uma excelente direção de arte, não é de se assustar que esta tenha sido indicada ao Oscar (trabalho de Jan Roelfs e Nancy Nye).

Vincent Freeman é sempre desconfiante com as pessoas que o cercam, desde olhares mais atentos a um medo descontrolável que o aflige por dentro. Ethan Hawke é ótimo protagonista, sabendo trabalhar muito bem as facetas de seu personagem. O mesmo vale para Jude Law, que dá vida a Jerome Morrow, importantíssimo para a trama. Sou um pouco suspeito de falar, mas tirando o apelo emocional, Uma Thurman está muito bem, encarnando um interesse romântico sem beirar os extremos do meloso ou desnecessário.


Por fim, chegou a hora de dar tchau. E enquanto este futuro tão absurdamente desigual, mas assustadoramente real não chega, “Gattaca” é uma obra marcante. Em tempos onde qualquer um acha que consegue fazer um sci-fi de qualidade, Niccol fez de seu primeiro filme um exemplo a ser estudado.

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