quinta-feira, 13 de março de 2014

Crítica - Ernest et Célestine

 

Ernest é um urso que sempre sonhou em ser um grande artista. Em troca de algumas moedas, ele perambula pela cidade tocando uma série de instrumentos ao mesmo tempo. Já Célestine é uma ratinha do mundo subterrâneo, onde os roedores construíram sua cidade. Assim como Ernest, Célestine quer se tornar uma artista, quase que repudiando seu estágio e possível emprego de dentista. Numa situação curiosa, os dois se encontram na superfície, dando início a uma conturbada, mas interessante, amizade.

Adaptado de uma série de livros infantis do belga Gabrielle Vincent, o filme chegou aos cinemas no final de 2012, na França. Porém, sua estreia no ocidente demorou um pouquinho e muitos países ainda estão por recebê-lo. A direção é formada por dois veteranos da animação (Stéphane Aubier e Vincent Patar) e pelo estreante Benjamin Renner.

Simples e profundo são as melhores palavras para definir o longa em seus 80 minutos. A história segue uma linha simplista, não se abstendo de arquétipos e modelos. O que não é ruim, visto que para uma mente infantil seria difícil compreender personagens ou situações complexas. Para os mais velhos, diferentes leituras da obra podem ser feitas, chegando a conclusões interessantes e boas representações e críticas à atualidade.


Já que os protagonistas têm sonhos bastante parecidos (Ernest com a música e Célestine com a pintura e desenho), o filme apresenta como os dois são percebidos e se comportam nas sociedades onde vivem. E não é se espantar que a arte seja vista com bastante preconceito. Os ratos, principalmente o supervisor de Célestine, entendem como algo fútil e desnecessário, enquanto que Ernest é visto como só mais um vagabundo a quebrar o silêncio dos outros ursos.

A relação entre os dois é construída de forma sucinta, valendo-se mais pelas ações ou atitudes do que por palavras. A ratinha é insistente e quer ser amiga do urso, desde quando nem o conhecia já pensava que as espécies poderiam ser amigas e conviver em paz. Ernest, por outro lado, é mais fechado e pensa diferente da roedora. Porém, é questão de tempo até a trama caminhar a seus leves passos e construir uma relação bem bonita entre os dois.

Lembra-se do simples e profundo? Eles também servem para as partes visual e sonora. Os traços são despojados, com poucos detalhes e um trabalho muito grande na colorização. Se fosse para comparar, é como se Vitor e Lu Cafaggi (responsáveis pelo aclamado Turma da Mônica: Laços) fossem encarregados da animação. Visualmente, é lindíssimo, sem sombra de dúvidas. O som cumpre sem papel, com destaque à trilha sonora bem conduzida.


Se você é mais emotivo, “Ernest et Célestine” vai arrancar algum suor de seus olhos. Caso contrário, será um tempo que você gastará com um filme de primeira, que conta uma história sem muitos enfeites, mas muito profunda e bonita.

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